domingo, outubro 08, 2006

Os filhos dos outros

Quem me conhece, sabe que gosto de crianças. Sempre gostei. Sempre tive paciência para brincar com elas e alinhar nas suas parvoeiras. Dirão os que me conhcem que terá a ver com uma semelhança em termos de idade mental; a esses chamo nomes feios e pronto.
A verdade é que isto de ser pai fez com que tivesse um outro olhar sobre o assnto.
Isto de ter filhos faz com que os conheçamos melhor e saibamos mais e melhor como gerir as brincadeiras, os tempos e a atenção que lhes dedicamos. E se tudo isto é verdade para os nossos, é também verdade quando se trata dos filhos dos outros.
(E aqui - obviamente - não se incluem os filhos dos nossos amigos. Esses são nossos também.)

É verdade que os miúdos não têm culpa dos pais que têm, mas é também verdade que quem tem filhos que os ature.

Em frente ao jardim da parte de trás da nossa casa ficam outras casas também com jardim. E ficam outras pessoas que também têm filhos.
E se, por uma manhã, os filhos destes senhores resolverem vir brincar com a pim pim, por mim tudo bem. Vá que os putos fiquem mais do que é suposto, entrem pela casa dentro e à pergunta: precisas de alguma coisa? respondam: estou só a ver. São putos e eu percebo a falta de discernimento. Que brinquem com os brinquedos da minha filha também não me chateia e vá, ao limite, que não sejam educados para arrumar as coisas depois da brincadeira e tenha que ser eu e a pim pim a arrumar tudo, também dou como aceitável. O que me tira mesmo do sério é o facto dos pais das criaturas deixarem os putos andar aqui - e só para que conste, nós não conhecemos os senhores de parte alguma e nunca os vimos mais gordos - e assim que percebem que os putos estão "entregues" viram costas e vão para dentro. Nem um "oh filho não chateies os senhores" de cerimónia ao que eu responderia "não chateia nada, deixe-os estar" de simpatia. nem um "venham para cima" ocasional que levaria de troco um "não tem problema" diplomático. Nada. Niente. Not a word. Nem tugem nem mugem. E vá, mesmo mesmo no limitezinho da coisam se isto fosse uma cena isolada de uma manhã ou mesmo, na mais absoluta loucura, de um dia inteiro, eu nem me senatava aqui às 2 da manhã a escrever isto. Acontece que já lá vão 2 dias e se eu ficasse aqui amanhã o dia inteiro, guess what, tinha os putos aqui outra vez.
Hoje, por exemplo, à hora do almoço - e especialmente porque tínhamos amigos para almoçar, a mesa não é grande e pronto, eu também não conheço os putos de lado nenhum - tiveram as crianças de ser convidadas a voltar à casa dos paizinhos. Depois, para a sesta, novamente um cortês "agora têm de ir para casa que a pim pim vai dormir, 'tá bem?". Tipo 3 vezes. Dos pais, népias. Até podia agarrar nas crianças, metê-las no carro e ir vendê-las a Marrocos que os dignos progenitores nem davam conta.
No meio da brincadeira, o mais novo aleijou-se e querem ver que teve que ser a minha mulher, grávida, a agarrar na criança e direccioná-la quase até à porta de casa dela que nem com o puto aos berros os gajos se assomaram...
Juro que não percebo.
Se calhar sou só eu, mas que não percebo, não percebo.

4 Comments:

Blogger Elora said...

Há 8 e 80. A minha vizinha do lado não consegue arranjar tempo para a filha vir cá a casa brincar com a Sofia e as duas miudas sofrem imenso com isso. Não queres vir morar para este lado?

10:23 da manhã  
Blogger Ana said...

Nem tu nem eu. Concordo com tudo o que escreves-te. E como tenho uma mana mais nova sei do que falas. Sem dúvida. **

9:44 da tarde  
Blogger Gabriel Al Ves said...

Deixa-me adivinhar, são os galináceos (os gajos que fizeram do seu pedaço de jardim uma enorme e foleira gaiola).

10:51 da manhã  
Blogger Lyra said...

A minha mãe usa um expressão que diz "há pais e paizinhos". É tão fácil ter filhos, comparando com o "trabalho" que dá educá-los, amá-los etc etc.

9:10 da tarde  

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