sexta-feira, julho 15, 2005

A minha definição dos ismos

O meu entendimento do mundo é linear. Para dizer a verdade, é simplista. Li pouco e do que li nem me lembro dos autores. Não só não sei escrever Haiek correctamente, como não faço ideia quem o tipo seja. Daí ter que recorrer a imagens relativamente disparatadas para (tentar) explicar as minhas opiniões. No caso dos ismos (liberalismo, socialismo e comunismo), vou utilizar uma corrida de 100 metros.

A forma como actualmente funcionam as corridas de 100 metros é liberal. Existem regras, e quem zele pelo seu cumprimento, mas os atletas podem correr o mais rapidamente que puderem e tentam chegar primeiro. E quem chega primeiro recebe um prémio, quem chega a seguir recebe um prémio inferior e assim sucessivamente até aos tipos que não recebem nada.

Caso a corrida de 100 metros fosse socialista, existiria um mecanismo de diferenciação positiva. Os atletas com tempos históricos mais baixos poderiam partir uns metros mais à frente, para terem maiores possibilidades de ganhar. No entanto, os atletas mais velozes começariam a registar piores tempos para que, quando chegassem à corrida decisiva, estarem também uns metros mais à frente. Entretanto, os atletas mais lentos começariam a reclamar pelo que entendiam ser uma fraude, fazendo greve. Para resolver a situação, criava-se uma comissão independente destinada a analisar a taxa de esforço dos atletas mais velozes. A corrida de 100 metros seria atrasada vários meses. Quando se realizasse, o atleta colocado mais à frente, e que ganharia a corrida, era filho do dono da empresa que patrocinava a corrida e sobrinho do presidente da comissão independente.

Numa corrida de 100 metros comunista, a primeira mudança seria no vestuário, ou seja, tudo igual. Depois, a organização, composta por antigos corredores e já com uma idade bastante avançada, escolheria os atletas participantes, separando-os por várias corridas, tendo em conta a altura, peso e massa muscular, para todos terem as mesmas hipóteses. Atletas mais rápidos do que os outros em pelo menos 2 segundos seriam imediatamente eliminados, proibidos de participar em futuras corridas e apagados de todas as fotografias das corridas. Todos os atletas participantes iriam ao pódio, que seria plano, para que ninguém se destacasse. Conclusão: numa corrida comunista, muitos correm, mas ninguém ganha nada.

Perceberam alguma coisa?

NG

p.s. para quem dê por falta do Conservadorismo, a explicação para isso é simples: os Conservadores não gostam de correr e muitos nem precisam.

(actualizado)