sábado, setembro 16, 2006

O Cinzento

No âmbito das comemorações do 5º aniversário do 11 de Setembro (toda a frase soa mal. Remete para festa), o rebuliço nos meios de comunicação social foi, como aliás se suspeitava, enorme. Artigos de opinião, reportagens, debates, documentários e até longas metragens foram estreadas em várias salas de cinema. E houve de tudo por estes dias: teorias da conspiração de qualidade duvidosa, artigos pró e anti América e filmes conservadores do género "God Save America" a puxar à lágrima fácil.

De tudo aquilo que vi, ouvi e li, o que mais me marcou foi sem dúvida o debate entre um velhinho chamado Mário Soares (gostaria muito de chegar àquela idade com tamanha capacidade) e um ceguinho chamado Pacheco Pereira (ficaria muito triste se não visse melhor do que aquele senhor quando chegasse à idade dele); e o documentário Loose Change exibido na RTP 2.

Independentemente de se acreditar em A ou B, defender C e repudiar D, existe um princípio que norteou e ainda norteia todos estes confrontos intelectuais sobre o 11 de Setembro e, em particular, sobre todo o conflito que daí advém, que me irrita profundamente. Esse princípio, ou permissa, muito mais evidente do lado pró-americano, ou, como se costuma erradamente dizer, pró-ocidental, coloca obrigatoriamente as pessoas de um dos lados da barricada: ou estás connosco, ou estás contra nós. Ora, deixem-me dar-vos uma novidade: entre o branco e o preto, existe um número infinito de tons de cinza.

Por achar o George W. Bush uma verdadeira besta, pensar que a trágica história do povo judeu não lhes confere o direito de tomar determinadas posições e de um certo número de questões nos atentados do 11 de Setembro me fazerem confusão, não significa que, obrigatoriamente, goste, ou tão pouco compreenda, os grupos terroristas que andam por esse mundo a aterrorizar e a matar pessoas inocentes, bem como os governos que lhes dão protecção.

Gabi

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

O Cinzento não é cor! Abaixo o cinzento!

Concordo plenamente existe um espectro cinzento a pairar sobre muitas questões principalmente sobre as que referes (11Setembro/E.U.A.IsraelVsPalestina/OcidenteVsOriente etc) as "coisas" cinzentas são normalmente dúbias, difíceis de perceber e ainda mais de explicar.
Tb fiquei impressionado ao ver o documentário Loose Change (parecia retirado do argumento da espectacular serie 24h) e realmente os Estados Unidos ainda tem muito que explicar a eles próprios e ao mundo, acho que eles e a Suíça são muito cinzentos, cinzentos demais.
Acho que a sociedade (de uma maneira geral) esconde-se atrás desse cinzento para não ter que enfrentar e resolver problemas é muito mais fácil, é por isso que tb não gosto do cinzento, prefiro as coisas a cores de preferência aos pares Laranja/Castanho - Verde/Violeta - Azul/Rosa Velho etc....
Mas existe uma coisa curiosa é supostamente na zona cinzenta do cérebro que "tudo se passa" e principalmente na Área 17 (zona responsável pela visão e processos criativos) será que andamos todos com a cabeça virada do avesso ou é só impressão minha?
Abraços
RR

5:22 da tarde  
Blogger Gaguinho said...

até que enfim que o gajo se assume. não´custa nada não é sr. rr. quanto ao loose change, podem ver aqui (http://video.google.com/videoplay?docid=-5946593973848835726) mas têm de descarregar o google video player, ou aqui (http://www.loosechange911.com/index_main.html).
descontando o que se deve descontar, com mais ou menos bom senso, a verdade é que há - sempre - muitas histórias por trás da história. há sempre mais uma forma de ver as coisas e cada vez mais, nada é o que realmente parece.

5:51 da tarde  

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