quinta-feira, agosto 10, 2006

Eu, a Malga e a Lua

Chegámos a casa pelas onze e meia. Não corria uma aragem. Fui à casa de banho e depois despi-me no quarto. Estava realmente farto daqueles sapatos, daquelas calças, daquela camisa, daquelas meias e até daquele relógio. E não é que não tivesse também farto daqueles boxers, mas como tinha de estender roupa, achei por bem mantê-los. Normalmente estou bastante farto da roupa com que tenho de trabalhar, seja ela qual for.

Ainda vinha na A5 e já vinha a pensar na malga de Corn Flakes com Vigor bem fresquinho. E assim foi. Sentei-me no puff da sala e ali me reconfortei com a textura crocante dos flocos de milho torrado. Nem sequer liguei a televisão. Nem tão pouco acendi qualquer luz. Deixe-me para ali ficar. Eu, a tijela e a luz da Lua (Cheia), que atrevida se infiltrava por entre as laminas de madeira dos estores da sala. Fechei os olhos e deixei-me para ali ficar.

Olhei para o porco que canta, para a roda das bolas, para o triciclo novinho oferecido pelo avô e a tua voz ecuou na minha cabeça desligada. Pude então ouvir as tuas cantorias, os teus chamamentos, os teus guinchinhos agudos. Pude até ver os teus pézinhos gordos à procura do equilíbrio em passos muito bem medidos.

Antes de me deitar ainda passei pelo teu quarto. Espreitei a tua cama vazia e cheirei a tua fraldinha de pano, o "ó-ó", que gostas de passar suavemente por entre os dedos e junto das narinas.

Bolas, como a casa está vazia!

2 Comments:

Blogger Ana said...

Sim, ter a casa vazia é das coisas mais desagradáveis. Não quer dizer que por vezes não faça falta um pouco daquele sossego e descanso. *

3:55 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Keep up the good work » »

2:49 da manhã  

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