sexta-feira, junho 30, 2006

A Luz da Cidade

Depois de caminharmos durante algum tempo nos intermináveis túneis forrados a azulejos do metropolitano parisiense, lá entrámos numa daquelas composições mais antigas. Estava cheia. De gente, de todas as raças e certamente de várias nacionalidades, de conversas alheias, de trajes e de odores, de estranhos e desagradáveis odores.
Estávamos em pé, mesmo junto às portas, e não trocámos uma palavra. Limitámo-nos a observar o cenário que nos cercava e a apreciar as suas personagens. Cada uma delas contar-nos-ia certamente uma história diferente. Eu fiquei virado para uma rapariga de origem magrebina. Não devia ter mais de 25 anos. Tinha cabelo preto comprido e trazia uns cadernos no colo. Estava sentada e dobrada sobre as suas pernas. O cabelo escondia-lhe a face, mas ainda assim consegui descobrir uma expressão de sofrimento, molhada pelas lágrimas que lhe corriam incessantemente pelo rosto. Uma nota inesperada? Um problema de saúde? Naaah! Um desgosto de amor. De caras, um desgosto de amor.
Aquela era uma carruagem de uma Paris de braços abertos ao fenómeno da globalização. Uma carruagem cosmopolita, com gente de todo o mundo. Gente que, contudo, não deixa de ser gente. Cada uma, com uma história para contar, ainda que por vezes sem vontade alguma de o fazer.
Gabriel Al Vez

4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

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12:20 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

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9:49 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Great site loved it alot, will come back and visit again.
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4:37 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Keep up the good work. thnx!
»

12:32 da tarde  

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